sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Zwanze Day 2012

No dia 01/12/2012 aconteceu o Zwanze Day promovido pela tradicional cervejaria de Bruxelas, especialista em cervejas de fermentação espontânea, Cantillon. O Zwanze Day é uma iniciativa da Cantillon que permite ao mestre-cervejeiro explorar novas fronteiras na preparação de cerveja. O evento teve início em 2008 e vem acontecendo com certa regularidade todos os anos desde então. A Zwanze 2012 foi uma reedição da primeira Zwanze de 2008. Isso porquê a cerveja que foi feita para ser a Zwanze 2012 não ficou pronta a tempo e, segundo a cervejaria, deverá ser a Zwanze 2013. A Cantillon tomou uma iniciativa muito legal ao servir a Zwanze em quantidades limitadas e engarrafando apenas uma pequena parte dessa produção já limitada. O objetivo é evitar alguns "aproveitadores" que acabam colocando as mãos em garrafas de Zwanze e as vendendo a preços exorbitantes em sites como o eBay.
Zwanze Day 2012

Pela primeira vez Amsterdam foi uma das cidades a sediar o Zwanze Day. Dois dos melhores estabelecimentos de cerveja na cidade promoveram o evento na capital holandesa. É claro que estou falando do Bierkoning e do In de Wildeman. Os barris foram abertos às 21.00 horas do primeiro sábado de dezembro. A Zwanze 2012 foi uma lambic com ruibarbo. Uma combinação perfeita, o sabor do ruibarbo combinou perfeitamente com a acidez da lambic e a Zwanze 2012 foi uma ótima cerveja. Como era de se esperar, quem foi ao In de Wildeman nesse dia pode provar além da Zwanze 2012, a platte oud lambik e platte kriek da Girardin (servidas no bag-in-a-box) bem como a Rosé de Gambrinus, também da Cantillon, na pressão. Para acompanhar as cervejas, pratos preparados com ruibarbo.

Happy Zwanze Day!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Bamberg: a capital mundial da cerveja


A Francônia, no norte da Bavária, é a região coma maior densidade de cervejarias no mundo. Não é incomum pequenas cidades ostentarem 2 ou 3 cervejarias que produzem lagers de altíssima qualidade. Bamberg é um centro econômico, histórico e cultural na Francônia. Entre os séculos 10 e 17 Bamberg foi residência de reis, imperadores e filósofos. A catedral de Bamberg que celebrou nesse ano 1000 anos, com seu famoso Domreiter, é um exemplo dessa magnífica herança medieval de Bamberg.
Outra herança medieval da cidade são suas cervejarias. Atualmente a cidade possui 9 cervejarias, são elas: Ambräsianum (que é, na verdade, um brewpub), Fässla, Greifenklau, Kaiserdom, Keesmann, Klosterbräu, Ma
Uma quantidade respeitável para qualquer cidade no mundo, e muito mais para uma cidade de pouco de mais de 70.000 mil habitantes. Para se ter ideia, hoje, em Bruxelas, existem apenas duas cervejarias, em Munique, 9 cervejarias. Portland, Oregon, é a cidade com o maior número de cervejarias no mundo, com 51, uma densidade ainda menor que a de Bamberg, considerando a população de Portland.
Mas não é apenas a quantidade de cervejarias em Bamberg que faz desse cidade, para mim, a capital mundial da cerveja. A qualidade e autenticidade das cervejas produzidas em Bamberg são incríveis. Não bastasse, Bamberg também é a casa da mais conhecida produtora de malte do mundo, a maltaria Michael Weyermann.
Em nenhuma outra cidade que visitei (incluindo, Londres, Bruxelas, Antuérpia, Bruges, Amsterdam, Düsseldorf, Colônia e Munique) o consumo de cerveja é tão lugar comum quanto em Bamberg. Em Bamberg se toma cerveja no café da manhã, o famoso Früschoppen; no almoço; durante a tarde, o igualmente famoso Brotzeit; durante o jantar e claro uma saideira antes de ir para a casa. A variedade das cervejas, embora todas sejam lagers, também impressiona. Ótimas Pilsen, Helles, Weizen, Kellerbier, Ungespundetes, Dunkel, Bock e claro, a cerveja original de Bamberg, as Rauchbier. Produzidas com malte defumado as Rauchbier apresentam aroma e sabor defumados que variam desde relativamente sutis, como na Spezial Rauchbier,
até extremamente acentuados, como na clássica Aecht Schlenkerla Rauchbier Märzen. Essas cervejas podem ser degustadas diretamente no bar das cervejarias (Brauereiausschank) ou nos ótimos cafés da cidade (Zum Domreiter e Café Abseits, por exemplo).
Na minha visita a Bamberg provei algumas das ótimas cervejas lá produzidas. O bar da Schlenkerla, no centro da cidade, há poucos metros da catedral, é algo de fantástico. Certamente um dos melhores lugares para se beber cerveja que já visitei. O bar centenário parece não ter mudado muito ao longo de toda a sua história. As cervejas, como nas outras cervejarias tradicionais de Bamberg e na Alemanha em geral, são servidas diretamente do barril de carvalho. Além da tradicional Märzen, estava sendo servida, fresca do barril, a cerveja sazonal do verão, a Kräusen, que nada mais é do que um blend de cerveja maturada com uma cerveja que ainda está fermentando. A Kräusen tem um teor alcoólico relativamente baixo (4,5% ABV), por causa do blend, e sabor defumado menos acentuado do que na Märzen. Mesmo assim uma ótima cerveja.
Há alguns minutos da Schlenkerla, a Brauerei Spezial, produz uma deliciosa lager defumada e uma Märzen, comparável a da Schlenkerla. Se Rauchbier não satisfaz o seu paladar (então você tem algum problema, obviamente) atravesse a rua saindo da Spezial e entre na Brauerei Fässla. Uma ótima Pilsen e uma ótima Helles são servidas lá, frescas do barril de carvalho. A Bock Bambergator e a Dunkel Zwergla são servidas na garrafa.
São tantas cervejas em Bamberg que falar sobre todas elas seria entediante, cruel, ou talvez os dois. Vale mais a pena fazer uma visita.

Prosit!

domingo, 20 de maio de 2012

Abadia de São Benedito em Hamont-Achel

Hamont-Achel fica na fronteira entre a Bélgica e Holanda. Do lado holandês as cidades mais próximas são Valkenswaard e Eindhoven. Do lado belga o estado de Limburg oferece várias pequenas cidades rurais, rotas de bicicleta, cervejas e queijos. Hamont-Achel faz parte do grupo de cidades mais "gourmet" de Flandres em 2012. Isso por causa do queijo produzido na cidade e por causa da cerveja trapista produzida em Achel.

A abadia de São Benedito em Hamont-Achel é a terceira das abadias trapista produtoras de cerveja que visitei (minha primeira visita foi a Westvleteren e a segunda em Koningshoeven). A abadia fica localizada há 7 km do centro de Hamont-Achel. Para chegar até a abadia, saindo de Eindhoven, é preciso pegar dois ônibus, o primeiro saindo de Eindhove em direção a Valkenswaard e o segundo um ônibus de Valkenswaard em direção a Achel.

A abadia fica localizada em cima da fronteira belgo-holandesa e uma pequena parte das construções da abadia fica localizada na Holanda. A Achel produz seis cervejas diferentes. Uma blond e uma bruin a 5% ABV que são servidas na pressão no café da abadia, uma blond e uma bruin a 8% ABV em garrafas de 33cl e uma blond e uma bruin a 9,5% ABV em garrafas de 75cl. As garrafas de 33cl são as mais fáceis de encontrar e, segundo rumores que ouvi, a blond na garrafa de 75cl é vendida apenas na abadia.

No café da abadia em Achel eu provei as cervejas servidas na pressão e no geral a blond me agradou bem mais do que a bruin. A cerveja escura não tinha muito corpo e nem sabores muito interessantes. A comida servida no café é bem simples, a sopa trapista é uma sopa simples de legumes. Os outros petiscos oferecidos são petiscos típicos da culinária holandesa/flamega como Bitterbalen, Tosti Ham-Kaas, kroketten...

Dentro do pátio onde fica localizado o café existe um mercadinho que vende queijos, chocolates, licores, balas e cervejas, muitas cervejas. O mercadinho do Broeder (irmão) Martinus tem uma variedade incrível de cervejas belgas. E para quase todas as cervejas vendidas lá, você também encontra os respectivos copos! Vale a pena visitar.

Gezondheid!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Café Zomerlust

O café Zomerlust fica bem na divisa entre Tilburg e Berkel-Enschot. É um café bem aconchegante com uma decoração art decó que dá um charme especial ao lugar. Na primeira quarta-feira do mês o Zomerlust recebe uma banda de salsa e na terceira quarta-feira do mês é a vez do jazz. O café fica convenientemente localizado a poucos quilômetros do mosteiro em Koningshoeven e é uma boa parada antes ou após uma visita à abadia.
No cardápio alguns petiscos holandeses (bitterballen, bittergarnituur...); os pratos que são servidos no almoço precisam ser reservados com ao menos um dia de antecedência. A carta de cervejas inclui seis torneiras, sendo que em uma delas é servida a cerveja da casa, uma ale clara de 8,7% de ABV e produzida com pêssegos, outras duas torneiras são reservadas para cervejas sazonais. Todas as trapistas, com exceção das Westvleteren, estão no menu, além de uma boa seleção de cervejas belgas e holandesas. Mas a maior surpresa ficou por conta da carta de cervejas "vintage". Algumas lambics da década de 70, Chimays dos anos 80 e 90 entre outras raridades.
No Zomerlust eu experimenti a Vicaris Quinto na pressão, da cervejaria Dilewyns, que inaugurou sua própria cervejaria no ano passado (antes eles estavam produzindo na De Proef). Servida na pressão a Quinto é uma Tripel a 5% de ABV. Uma ótima cerveja que mantém todas as características de uma boa Tripel, mas com um ótimo drinkability. Após a Quinto foi a vez de uma Witkap Dubbel 1985. A garrafa da Witkap estava completamente empueirada e tinha perdido quase todo o rótulo. A tampa enferrujada ao ser aberta já mostrava que a cerveja tinha perdido quase toda a sua carbonatação. A cerveja estava com um ótimo aroma de mel e frutas secas, corpo aveludado e amargor imperceptível. Uma ótima cerveja!

Gezondheid!

sábado, 10 de março de 2012

Het Nest Bierfestival

Nos dias 09 e 10 de março os cervejeiros da Het Nest organizaram um festival na cidade de Turnhout, Bélgica. O festival com aproximadamente 75 rótulos ofereceu a cerveja produzida pela Het Nest e por outras cervejarias belgas. A lista completa das cervejas pode ser encontrada no site da Het Nest. Eu dei uma rápida passada por lá no sábado e experimentei algumas cervejas. Dentra as principais cervejas do festival estava a Turnhoutse Patriot, uma Saison com 6,5% ABV produzida para comemorar os 800 anos da cidade de Turnhout em 2012. A Turnhoutse Patriot é uma ótima Saison, bastante leve e lupulada.

Também experimentei a Notre Passion, uma Belgian Porter segundo as descrições do rótulo. Com 8% ABV a Notre Passion tem notas carameladas, de mel e um ótimo corpo. No rótulo uma declaração de amor da cervejaria Montaigu.


Para finalizar uma Gueuze Hanssens, faltou um pouco de carbonatação para esta Gueuze. A quantidade de fermento no fundo da garrafa era bem menor do que geralmente se encontra em garrafas de Gueuze, mas ainda sim ótima cerveja!
Gezondheid.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rodenbach Vin de Céréal

Dois anos após minha primeira visita ao Delirium Café algumas coisas mudaram no bar famoso por ter a mais longa lista de cervejas do mundo. O império Delirium tomou conta da Impasse de la Fidélité com o Delirium “original”, Floris Bar, Delirium Monasterium e outros recintos da marca Delirium espalhados em volta da Grand Place. Todos os bares da marca são muito bem apropriados para quem deseja se embriagar com cervejas, vodkas ou tequilas. O cigarro foi proibido dentro do bar, como em toda a Bélgica que era um dos últimos paraísos dos fumantes na Europa (embora a lei anti-fumo na Europa não seja tão rígida quanto a brasileira). Outras coisas continuam iguais, como a música que continua (muito) alta, o público que continua (muito) jovem e a lista de cervejas que continua (muito) grande.

Numa sexta-feira à noite o bar se encontrava lotado e chegar ao balcão não era tão fácil quanto deveria ser. Estava ansioso para experimentar cervejas que não encontraria facilmente em outros lugares. Comecei pela Gueuze da Tilquin, a mais nova geuzerie belga. Servida na pressão, a Tilquin veio para enriquecer ainda mais a fantástica seleção de cervejas artesanais de fermentação espontânea na Bélgica.

Em seguida perguntei para a garçonete se ela tinha a Rodenbach Vin de Céréal. Ela foi checar e rapidamente voltou com a garrafa que eu esperava. Uma Rodenbach Vin de Céréal 2004 certamente não é algo que pode ser encontrado facilmente. A cerveja com 10% de ABV não possui carbonatação alguma. O álcool é imperceptível e o sabor extremamente complexo e aveludado, tudo de bom para uma noite fria e úmida na linda Bruxelas. Na foto ela aparece ao lado de uma Cantillon Rosé de Gambrinus. As duas cervejas estavam sendo cuidadosamente vigiadas por mim já que um rapaz totalmente dopado dançava perto da porta de entrada do bar. Não bastasse os passos que ele fazia, de vez em quando ele se jogava no chão e colocava as pernas para cima quase derrubando as mesas e levando ao delírio as pessoas ao lado.

Para terminar a noite perguntei pela Mont des Cats. O garçom disse que eles não tinham essa cerveja lá, que eu deveria ir para o primeiro bar da rua. O primeiro bar da rua a que ele se referia é o Delirium Monasterium que oferece apenas uma seleção de Trapistas e cervejas de Abadia, além de várias marcas de Vodka. A grande vantagem do Monasterium é que a música é um pouco mais baixa e o bar um pouco menos lotado. Ótimo para uma saideira. Pedi pela Mont des Cats e o garçom me explicou que a cerveja tinha acabado. Segundo ele a demanda é muito maior que a oferta e a cerveja acaba logo após chegar. O detalhe é que a Mont des Cats é muito mais caras que as outras trapistas no cardápio. Enquanto as Chimay saiam por volta de 3 ou 4 euros a Mont des Cats estavam saindo por volta de 6 euros. Deve ser a lei da oferta e procura.

Santé!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Bendita Bruges

No final de semana dos dias 04 e 05 de fevereiro de 2012 aconteceu na cidade de Bruges a 5 edição do festival da cerveja de Bruges. Promovido pelo BAB (Brugse Autonome Bierproevers) o festival contou com a presença de 74 cervejarias e 322 cervejas. Dentra as cervejas encontram-se desde as cervejas belgas mais populares no mundo com Duvel, La Chouffe, todas as Trapistas, além de cervejas que estavam fazendo sua aparição pela primeira vez no festival como a Fort Lapin 8, da mais nova cervejaria de Bruges a Fort Lapin, e algumas raridades como as Rochefort 8 engarrfadas em 12/2007.
O frio glacial que abateu a cidade de Bruges no final de semana não foi suficiente para afastar os visitantes sedentos que lotaram a belíssima torre na praça central da cidade onde foi realizado o festival. Além da excelente lista de cervejarias e cervejas impecável organização do festival garantiu um ótimo ambiente para a degustação de ótimas cervejas. O copo do festival junto de 5 fichas para consumação de cerveja (cada cerveja servida no copo de 15 cl custava 1,25 euros – o preço da ficha) e o livro de degustação com todas as cervejas do festival foi vendido na entrada por 10 euros. Na parte de baixo da torre dois stands reservados apenas para as cervejas Trapistas e para as Lambics.

Algumas curiosidades eram os avisos que pediam aos visitantes que se limitassem a consumir apenas um copo de Westvleteren e a La Trappe Quadruple Oak Aged que era a única cerveja que era servida em menor quantidade do que todas as outras (10 cl). O ótimo queijo Brugge também podia ser comprado por 2,50 euros para acompanhar as cervejas. Além disso, durante o festival alguns chefs estavam preparando pratos a base de cerveja.

Como estive presente apenas no sábado tive que ser bastante seletivo na lista de cervejas que iria degustar. Acabei formando a seguinte lista:

cuvee de watou

faro de oude cam

girardin oude lambic

hommelbier dry hopping

la trappe quadrupel eik

liefmans cuvee brut

oude geuze 3 fonteinen

oude geuze hanssens

rochefort 8 12/2007

st bernardus 12 abt vintage

westvleteren 12

Mas na realidade o que acabei tomando no festival foram as seguintes cervejas:

faro de oude cam

hommelbier dry hopping

liefmans cuvee brut

oude geuze hanssens

rochefort 8 12/2007

st bernardus 12 abt na pressão

Fort Lapin 8

westvleteren 12

Destaques para a Rochefort 8, a melhor cerveja que tomei no festival (o que 4 anos de espera não fazem por essa Rochefort), a Hommelbier Dry Hopping que deveria ser assim desde o início e a Fort Lapin 8, uma ótima Tripel, com coentro bastante perceptível e uma lupulagem extremamente agradável.

Gezondheid!